Entrevista com Joaquim Fernandes, Diretor Comercial da Aldo Solar

Durante a Intersolar, a maior feira da América Latina para o setor solar, tivemos a oportunidade de entrevistar  o Diretor Comercial da Aldo Solar, Joaquim Fernandes.

Confira agora mesmo a nossa entrevista exclusiva, na qual conversamos sobre o retorno gradual dos eventos presenciais, a relação da base familiar para o sucesso da Aldo e as perspectivas para o setor solar e para a própria Aldo Solar!

1. Como a Aldo Solar está encarando este retorno gradual dos eventos presenciais? Qual a importância da volta desses eventos para o setor de energia solar?
Joaquim Fernandes: Eu entendo que isso mostra uma normalidade do mercado e que, enfim, a vacina tem feito seu efeito, e o mercado volta a uma normalidade e as pessoas se sentem mais confiantes em poder adquirir um sistema fotovoltaico, mais confiantes em poder estar transitando e isso gera satisfação, gera segurança e é isso que a gente vê hoje.

2. Qual a importância da base familiar para o sucesso da Aldo Solar?
Joaquim Fernandes: A base familiar é o que levou a Aldo a ser o que é hoje. É a família atuando no negócio todos os dias, abrindo e fechando. Olhando todos os processos. Essa é a Aldo, é a família. Assim que nós vemos o negócio, e até hoje é dessa mesma maneira. Toda equipe é uma família.

3. Quais são as soluções/produtos que a Aldo Solar oferece aos seus clientes e parceiros?
Joaquim Fernandes: A Aldo, tem hoje em seu portfólio mais de 20.000 geradores de energia solar, soluções em Backup, produtos de TI e Drone. Todo o mix está disponível em nosso site a pronta entrega.

4. Como os negócios da empresa foram afetados pela pandemia e quais as soluções encontradas para contornar esses desafios?
Joaquim Fernandes: Em abril de 2020 vimos as vendas da Aldo serem bem impactadas pela pandemia. A gente vinha num ritmo de crescimento e em abril foi aquela freada. Só que em maio já vimos uma sinalização das vendas voltarem, num ritmo devagar, mas voltar a crescer. Em junho de 2020, a gente já viu uma normalidade nas vendas e de lá pra cá, para nós, o mercado só cresceu, ou seja, tivemos um impacto sim, mas não foi um impacto tão grande como os demais setores passaram por este impacto.

Também houve uma mudança no mindset do consumidor, que passou a ficar mais em casa, que se transformou no centro do mundo e as pessoas passaram a investir mais na própria casa. E a energia solar foi um desses investimentos, para gerar conforto, redução dos custos, muita gente em casa viu o aumento da conta de energia elétrica e pensou em colocar energia fotovoltaica.

Fizemos a promoção dos equipamentos de emergência/sobrevivência para hospitais de campanha, por exemplo. Essa campanha foi super bacana, teve muita adesão. Ia uma bateria e um sistema gerador para criar um sistema de backup, então foi muito bacana. Essa ampliação dos hospitais que houve nessa época, que às vezes eram construídos em campos de futebol ou na rua em frente ao hospital, corriam o risco de um respirador precisar funcionar o tempo inteiro e não ter energia, então a Aldo fez, a preço de custo, esses sistemas para ajudar os hospitais de campanha nesse momento da pandemia.

5. Com a iminente aprovação do PL 5829/19 no Senado, quais são as perspectivas para o setor de energia solar com a consolidação do marco legal da geração distribuída no Brasil?
Joaquim Fernandes: São as melhores possíveis. As pessoas veem o mercado com uma longevidade, uma certeza de não ter nenhum risco jurídico na operação com o marco legal. Isso já proporcionou um boom após a aprovação do PL pela Câmara. Empresas que estavam com o negócio guardado já estão tirando esse negócio da gaveta e buscando a solução e está se consolidando. Quando a gente fala em mercado residencial (80% do mercado é voltado para residências) e agora vemos empresas buscando esse mercado. A Aldo mesmo fechou seu primeiro negócio de 5 MW na geração distribuída recentemente, após a aprovação dessa primeira fase do PL.

6. A China registrou sua maior inflação em 25 anos no mês de setembro. Esse resultado acontece em um cenário de crise energética e alta dos preços das comodities. Qual o impacto desse cenário no curto e médio prazo para o setor de energia solar brasileiro?
Joaquim Fernandes: A China hoje é a fábrica do mundo, então isso vai gerar um impacto. Nas nossas negociações, já a partir do Q1 vem uma alteração nos preços em função disso tudo que está acontecendo. Estimamos 15% de aumento entre o que foi negociado no Q3 e o que está sendo negociado no Q4 e Q1/2022. A gente entende que isso vai ser passageiro, ainda que perdure por algum tempo, mas acredito que não nessa curva como estamos vendo agora. Acho que as coisas se estabilizam a partir do Q1.

Entendemos que para a geração distribuída não faltará produto. Hoje, quem tem seus projetos, falando a nível de mundo, em geração centralizada, com esse novo custo os projetos não se fecham, você não consegue ter aquele retorno prometido. Então a gente entende que a partir do Q1 começa a ter uma estabilidade e uma possível redução de custo novamente, muito em função desses grandes projetos não se fecharem e aí é oferta e procura, vai sobrar produto.

7. O senhor pode nos contar sobre a recente parceria entre a Aldo e a Deye para a distribuição dos microinversores da fabricante no Brasil?
Joaquim Fernandes: Essa é uma parceria que a gente anunciou com muita alegria. A Aldo estudou muito o mercado de micro inversores. A principal análise foi buscar uma empresa que já estivesse estabelecida no Brasil, com pós-venda e com serviço de engenharia e dedicada neste produto. E quando íamos no mercado a gente não via isso no Brasil. O que víamos eram empresas que estavam fora querendo parceiro no Brasil, mas sem ter feito um investimento no país. Então esse foi um dos requisitos para fechar com a Deye, que já está aqui no Brasil, possui um serviço de pós-venda, um time de engenharia e tem um produto fantástico. O monitoramento integrado ao micro inversor, que permite a redução do custo e é tão competitivo quanto o inversor string. Isso nos levou a fechar com a Deye.

8. Falando um pouco sobre inovação, qual a importância dos projetos de inovação (P&D) para a Aldo Solar?
Joaquim Fernandes: A Aldo, além de distribuidor de gerador de energia solar é fabricante de computadores e temos o PPB. Com relação a fábrica de computadores, temos projeto de P&D em andamento. Para sistemas fotovoltaicos, nós industrializamos os Kits e acompanhamos os projetos de P&D dos fabricantes de painéis e inversores.

Com relação ao parceiro Aldo, nós investimos em empresas que desenvolvem tecnologia. Um exemplo é a Deye. Por que a gente investiu e fechamos a parceria com a Deye? Porque ela é detentora da tecnologia. A Jinko tem inúmeras patentes de módulos e que ela vem desenvolvendo projetos de P&D. A Growatt tem parte dos seus recursos totalmente voltados para P&D.

9. Recentemente, foi anunciado que a Aldo Solar foi adquirida pela Brookfield. Qual o fator que corroborou para a venda e o que esperar para os próximos anos?
Joaquim Fernandes: É comum você ver um fundo fazendo investindo em usinas centralizadas com um projeto e um contrato de produção e receita recorrente, então quando você vê um fundo investindo numa empresa que tem seu negócio voltado para geração distribuída é porque estudaram muito esse mercado e viu segurança no mesmo. Quando você olha para nossa matriz (energética), menos de 1% é solar. Nós temos um espaço enorme para crescer, então, a Brookfield entendeu isso. O Brasil está sendo privilegiado e a Aldo também como todos os seus parceiros. A Aldo é uma empresa sólida com planejamento de longo prazo para poder fazer esse investimento e isso abre um corredor para os demais. Que os demais vejam e entendam isso, se preparem porque o mercado está aí e outros fundos virão.

O plano para o futuro é continuar crescendo como a Aldo vem crescendo, na base de três dígitos e para o ano que vem a previsão é a mesma. A Aldo quer manter seu market share no mercado, então a projeção é que o mercado dobre em 2022. Como fazemos essa análise? Pelo número de conexões na rede versus as vendas de geradores comercializado por nós, qual o número de conexões e qual a porcentagem disso. Então se o mercado vai dobrar ano que vem, a Aldo também vai dobrar.

10.Qual o legado essa transação deixa para o setor de energia solar fotovoltaica brasileiro?
Joaquim Fernandes: Nesse setor temos muitas oportunidades e que as empresas precisam estar preparadas para não deixar passar.

Compartilhe esse artigo em suas redes:

Nos acompanhe nas redes sociais

Parceiros

De: Coletivo Lift Para: Mundo

Copyright © 2021. All rights reserved.