RETROSPECTIVA DOS ACONTECIMENTOS MAIS MARCANTES DE 2021 PARA O SETOR DE ENERGIA SOLAR BRASILEIRO

O ano teve início com pouco menos de 8 GW de potência instalada operacional a partir de energia solar fotovoltaica no Brasil, além de estar repleto de incertezas uma vez que os impactos causados pela pandemia ainda são sentidos. 

Em agosto, o país alcançou a marca histórica de 10 GW de potência operacional instalada e menos de dois meses depois atingiu o valor de 12 GW. O setor viu a potência operacional mais que dobrar em um ano e meio, partindo de 5 GW em abril 2020 para os atuais 12 GW. Atualmente, a fonte solar fotovoltaica responde por 2,3% da matriz elétrica nacional.

Figura 1 - Matriz elétrica brasileira

E as expectativas para a continuidade da expansão do setor são excelentes. A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) estima que nos próximos dois anos o setor de energia solar deve receber R$ 42 bilhões em investimentos, que devem criar 270 mil empregos

Esse crescimento chama ainda mais a atenção, considerando o aumento dos preços dos equipamentos devido à alta do dólar frente ao real e, também ao período de crise energética vivenciado pela China, que abriga os maiores fabricantes de componentes dos sistemas fotovoltaicos do mundo. Essa crise é causada principalmente pelo compromisso assumido pela China de cortar 65% das emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) até 2030. 

Desta forma, o país vem fazendo uma transição energética: substituindo as fontes térmicas, muito comuns no país, por fontes renováveis, como solar e eólica. Entretanto, a retomada da produção acabou sendo mais expressiva que o esperado. Além disso, a produção de gás não acompanhou a retomada da demanda, também afetando a capacidade energética chinesa. Essa crise vem causando falta de equipamentos da cadeia de suprimentos solar fotovoltaica em todo o mundo, devido às quedas no suprimento de energia elétrica.

Por sua vez, o Brasil também vem passando por uma crise energética, porém, no nosso caso é causada pela escassez de água nos reservatórios das hidrelétricas que, como já vimos, são responsáveis pela maior parcela de produção de energia elétrica no país. Com isso, é necessário realizar a contratação de fontes termoelétricas, que além de serem uma fonte de emissão de GEE, custam mais caro para produzir energia e acabam contribuindo para o aumento da conta de energia elétrica, que somente em 2021 apresentou aumento acumulado de quase 25%, segundo dados do IBGE. 

Esse aumento, segundo o IBGE, está ligado à criação da Bandeira Escassez Hídrica, que foi emprega a partir de setembro para compensar os gastos com termoelétricas acionadas devido ao baixo volume dos reservatórios nas usinas hidrelétricas. A bandeira acrescenta R$ 14,20 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

Em novembro, a potência fotovoltaica operacional é de 12,313 GW, sendo 4,574 GW a partir de geração centralizada e 7,739 GW a partir de geração distribuída. E falando em GD, em agosto deste ano o PL 5829/2019, também conhecido como marco legal da geração distribuída, teve seu texto aprovado na Câmara dos Deputados e agora aguarda aprovação no Senado para ser convertido em Lei. Na 5ª edição da Revista 3S entrevistamos o relator do PL na Câmara dos Deputados, o Dep. Federal Lafayette de Andrada, que nos contou sobre o andamento do Projeto na Câmara, além de comentar sobre os benefícios do marco legal da GD. Segundo o deputado, o PL traz a segurança jurídica, clareza e previsibilidade que faltava ao setor de geração distribuída, que é o único do setor elétrico a não ter uma Lei normatizando sua atividade. Lembrando que a expectativa é que a Lei seja sancionada ainda em 2021.

Depois de um ano de espera, a Intersolar South America, maior feira do setor solar da América do Sul, voltou a ser realizada no Brasil. Segundo a organização da feira, o evento contou com 250 expositores e cerca de 28 mil visitantes estiveram presentes nos três dias do evento, superando o público registrado na Intersolar Europe Restart 2021, que registrou a participação de 26 mil visitantes. Para a edição de 2022, a feira está marcada para 23 – 25 de agosto, com expectativa de superar o número de visitantes e de expositores.

Ainda no último trimestre do ano ocorreu a COP26, em Glasgow, na Escócia. Entre os principais avanços da Conferência podemos citar o compromisso de zerar e reverter o desmatamento no mundo até 2030; corte das emissões globais de metano em 30% até 2030 em relação aos níveis de 2020; apoio a energias renováveis direcionando o financiamento das indústrias de queima de combustíveis fósseis; mais de 40 países concordaram em abandonar o uso de carvão, entre eles Polônia, Vietnã e Chile e 27 grandes empresas assinaram compromissos para garantir que embarques físicos de soja para suas regiões não sejam provenientes do cultivo em áreas onde árvores foram cortadas ou a vegetação nativa convertidas em terras agrícolas, após janeiro de 2020. Entretanto, diversas organizações ligadas ao meio ambiente alertam que, na prática, as decisões não resultarão em um aquecimento limitado a 1,5 ºC na comparação com a era pré-industrial.

Finalmente, com o objetivo de exercer função estratégica e realizar um trabalho inédito, que irá beneficiar toda a cadeia produtiva do setor de energia solar. Em junho de 2021, após diversos anos de pesquisas, nasce a startup 3S – Solar Sustainable Solutions. 

A 3S foi estruturada em 3 pilares estratégicos: Conhecimento, Inovação e Comunicação – sistema único, completo que oferece projetos inovadores, conhecimento de ponta e uma comunicação assertiva. 

No pilar conhecimento, temos Cursos de qualificação e também a Revista 3S, que já está presente em todos os estados do Brasil, em mais de 500 cidades e em 30 países. No pilar inovação, a 3S atua estrategicamente na captação de recursos financeiros a partir de editais de fomento à inovação através de projetos de inovação. Desde a sua criação (6 meses), a 3S já aprovou mais de R$ 1 milhão em fomento para o desenvolvimento de projetos de inovação tecnológica. Já no pilar comunicação, a 3S inovou mais uma vez, lançou o SUN – Sistema Unificado Nacional, uma plataforma exclusiva de busca que visa aproximar o cliente final das empresas de energia solar mais próximas do local desejado, de forma simples, prática e confiável. 

Assim encerramos 2021, que foi um ano de recuperação da economia e avanços no setor de energias renováveis e entramos em 2022 com o mercado de energia solar bastante aquecido, prometendo grandes investimentos e a criação de empregos. Por fim, desejo a todos os leitores um excelente final de ano e um ótimo 2022.

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