O conflito entre Rússia e Ucrânia e o futuro das energias renováveis

O continente europeu vem tendo que lidar com os impactos humanitários e econômicos causados pela invasão da Rússia à Ucrânia, principalmente com relação ao plano econômico, uma vez que cerca de 40% do gás importado pela Europa tem origem russa (que já estava com oferta insuficiente e preços em alta antes mesmo do conflito). E uma das preocupações é uma possível interrupção do fornecimento de gás. Por conta dessa dependência, o processo de transição para fontes de energia limpa, como solar e eólica, vem ganhando bastante destaque.

Em função disso, a Europa busca alternativas para fugir da dependência do gás russo, diversificando a oferta de gás, substituindo seu uso para aquecimento e produção de energia. Com isso, num primeiro momento, é esperado que os objetivos de descarbonização da economia global se afastem do que foi estabelecido no Acordo de Paris, como já pode ser constatado a partir da estocagem de carvão frente as incertezas com relação ao fornecimento do gás russo.

Entretanto, o esforço para a busca de novos fornecedores e novas fontes de energia, principalmente fontes verdes, ganhou uma nova necessidade. Como forma de pressionar a Rússia, os EUA anunciaram que não vão mais adquirir petróleo e gás russo, a União Europeia (UE) apresentou um plano para reduzir as importações em dois terços ainda em 2022. Seguindo a mesma tendência, o Reino Unido fez a promessa de zerar suas compras até o encerramento do ano.

Num primeiro momento, essas medidas tem impactos negativos no que diz respeito às emissões dos gases de efeito estufa, uma vez que as fontes fósseis oferecem uma segurança maior na questão de garantir a produção que atenda a demanda de energia. Segurança energética passou a ser um ponto muito importante na Europa, com os países buscando o maior grau de autossuficiência possível ou, ao menos, reduzir a dependência de um único fornecedor.

No futuro, entretanto, essas medidas podem acabar acelerando o processo de transição energética, lembrando que a meta declarada da UE é reduzir 55% das emissões de GEE até 2030 (em comparação com os níveis de 1990), resultando na redução da demanda por gás natural de 392 bilhões de cúbicos para 315 bilhões, obtendo neutralidade de carbono em 2050. A energia nuclear foi incluída no plano de descarbonização da economia europeia, o Green Deal, que prevê investimentos da ordem de 1 trilhão de dólares. A fonte é considerada limpa, mas não renovável e a França já anunciou investimentos de 50 bilhões de euros para reativar seu programa nuclear.
O foco nas energias eólica e solar deve crescer, assim como o interesse na viabilização da tecnologia de hidrogênio verde, que pode ser um ponto de bastante interesse para o Brasil. A tecnologia ainda não é economicamente viável, porém, em países com a matriz elétrica limpa aliada a queda dos preços das energias renováveis pode dar competitividade ao hidrogênio brasileiro.

A Alemanha é um dos países que tem bastante interesse na tecnologia de hidrogênio verde. O país anunciou um programa para garantir encomendas e viabilizar a instalação de plantas de produção pelo mundo, prevendo investimentos de 900 milhões de euros. O Porto de Pecém, no Ceará, tem o Porto de Roterdã como um de seus sócios, está em fase de estudos para instalar um hub de exportação de hidrogênio verde e vê o programa alemão com bons olhos, uma vez que o programa busca contratos de fornecimento de dez anos. Países que possuem matriz elétrica renovável, Brasil entre eles, devem disputar esse dinheiro.

Entretanto, o conflito está trazendo impactos negativos para o Brasil, como o aumento dos preços dos combustíveis e das commodities, e a grave ameaça no fornecimento de fertilizantes, o que pode impactar a próxima safra. Apesar disso, o Brasil e outros países da América Latina tem em comum o fato de serem economias com característica de exportadoras líquidas de commodities, o que acaba atenuando o choque externo, valorizando as moedas nacionais frente ao dólar.

Os preços também subiram com relação ao mercado de commodities agrícolas, pois a Ucrânia e a Rússia respondem por cerca de 20% das exportações globais de milho e 30% das de trigo. Além disso, alguns ataques ocorreram em áreas de cultivos importantes na Ucrânia.

Além disso, a China vem enfrentando um surto de casos de Covid-19, que ocasionaram grandes lockdowns, implicando em novos desafios para a retomada econômica do país e causando preocupação no cenário global, uma vez que as restrições implantadas nas regiões atingidas devem reduzir a produção da indústria, aumentando ainda mais os gargalos logísticos.

O cenário de conflito ainda traz incertezas, com a Europa bastante preocupada com sua segurança energética, porém o futuro se mostra bastante promissor para as energias renováveis e países que possuem uma matriz elétrica renovável.

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