Pernambuco lança hub de P&D em hidrogênio verde

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CTG Brasil, Senai e governo de Pernambuco lançaram nesta segunda (25/7) a iniciativa TechHub Hidrogênio Verde para concentrar no Porto de Suape projetos de produção, transporte, armazenamento e gestão de hidrogênio verde (H2V). Juntos, os projetos receberão inicialmente investimentos de até R$ 45 milhões.

A ideia é transformar o Complexo Industrial Portuário de Suape em um espaço de pesquisa, desenvolvimento e inovação “com foco no combustível do futuro”.

“Esse projeto mostra a capacidade do Complexo de Suape e sua diversidade em abraçar indústrias de vários tipos. Estamos de olho no futuro, já que o hidrogênio verde é uma inovação mundial, tem grande potencial de investimento, sustentabilidade e desenvolvimento da economia verde”, comentou Carlos Cavalcanti, diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Suape, durante o lançamento.

As propostas foram selecionadas em chamada pública do Departamento Nacional do Senai junto com a CTG Brasil.

O edital, cujo resultado foi divulgado em fevereiro, previa aporte de R$ 18 milhões, parte da estratégia de investimento em P&D da CTG Brasil alinhada ao Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel.

“Um dos objetivos da iniciativa é promover um ecossistema voltado para emprego de novas tecnologias, melhoria no processo de eletrólise, aumento de eficiência total da planta, redução de custos, capacitação e proposição de novos modelos de negócios”, explica Carlos Nascimento, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da CTG Brasil.

Nesta segunda, CTG e Senai assinaram um memorando de entendimento com o governo do estado para avaliar o desenvolvimento dos projetos no complexo de Suape — um dos portos mais estratégico do Nordeste, com 90% do Produto Interno Bruto (PIB) da região a um raio de 800 quilômetros.

A iniciativa pretende identificar oportunidades no porto público e na área de energia e de descarbonização de indústrias vinculadas a ele.

Para conectar todas as iniciativas de investimento nas plantas piloto do TechHub, será desenvolvida uma plataforma digital de comercialização para o H2V.

É fundamental rastrear e certificar a origem da energia para a produção do hidrogênio, assegurando que a fonte de alimentação da planta é proveniente de energia 100% renovável, abrindo ainda mais portas para a comercialização deste que é considerado o combustível do futuro”, completa José Renato Domingues, vice-presidente corporativo da CTG Brasil.

Projetos são bilionários…
Em maio, Suape anunciou uma chamada pública para atrair empresas interessadas na construção de uma planta de hidrogênio verde para início da produção em 2026.

O investimento estimado é de aproximadamente US$ 3,5 bilhões, para a instalação de uma unidade com 1 GW de capacidade de eletrólise. Outras duas para projetos do tipo são previstas agora no segundo semestre.

Atualmente, Suape tem memorandos de entendimento com a francesa Qair, Casa dos Ventos, Fortescue Future Industries (FFI), Brid Logístic, White Martins/Linde, Neoenergia e Suape-Senai para produção de hidrogênio.

O projeto da francesa Qair, sozinho, pode representar investimentos da ordem de R$ 20 bilhões.

Algumas dessas empresas têm memorandos para fazer parte também do hub de hidrogênio do Ceará, o primeiro do Brasil voltado para grandes projetos.

Também localizado em um porto, no Pecém, o hub conta com 18 memorandos de cooperação entre o governo estadual e diferentes agentes de mercado para produzir e exportar o novo combustível.

Localização estratégica e combinação com projetos de geração renovável fazem dos portos com eólicas offshore modelos preferidos para H2V no Brasil.

…mas falta regulação
A América Latina tem uma “oportunidade de ouro” para atuar como provedora de energia para os Estados Unidos e China e desenvolver seu papel como exportadora confiável de energia e hidrogênio verde. Mas a política setorial deixa a desejar, avaliam executivos do setor de energia.

Um levantamento da Siemens Energy sobre as prioridades para a transição energética na região identificou que, além de regulação, outras três áreas têm um nível semelhante de urgência de ação: financiamento, tecnologia e know-how.

“Eles [os stakeholders] veem a necessidade de ação na área de financiamento como particularmente alta para fontes de energia renovável — aqui, o regime regulatório precisa ser ajustado para criar mais oportunidades de investimento”.

Na área de tecnologia, ação é necessária particularmente em termos de soluções de armazenamento de energia e captura e armazenamento de carbono.

Brasil aguarda estratégia nacional
No caso específico do Brasil — onde o novo combustível pode movimentar até US$ 20 bilhões anuais até 2040 –, o mercado ainda aguarda a Estratégia Nacional do Hidrogênio, prometida pelo ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para o início deste ano, com o detalhamento das políticas federais.

Em junho, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e sua respectiva governança. Essa proposta já havia sido apresentada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) há quase um ano, em agosto de 2021.

As diretrizes do programa estão estruturadas em seis eixos: fortalecimento das bases científico-tecnológicas; capacitação de recursos humanos; planejamento energético; arcabouço legal e regulatório-normativo; abertura e crescimento do mercado e competitividade; e cooperação internacional.

Diferente de outros países, como Chile, Uruguai e Colômbia, que privilegiam o hidrogênio produzido a partir de fontes renováveis, o programa brasileiro aposta nas múltiplas rotas, incluindo fontes fósseis, como gás e carvão. Essa estratégia é conhecida como hidrogênio arco-íris.

Por enquanto, a única coisa definida é que o Comitê Técnico PNH2 deverá aprovar, periodicamente, um plano de trabalho — incluindo ações, responsáveis e prazos — que busque sinergia com outros programas e políticas públicas.

Enquanto isso, no Congresso, um projeto de lei do senador Jean Paul Prates (PT/RN) inclui o hidrogênio como fonte energética na matriz brasileira e estabelece metas para a inserção no ponto de entrega ou ponto de saída dos gasodutos de transporte.

Apelidado de Lei do Hidrogênio, o PL 725/2022 prevê que, até 2032, seja adicionado o percentual mínimo de 5% de hidrogênio na rede, e 10% até 2050.

Fonte: epbr

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