Baterias ganham espaço nos projetos solares e mudam a busca por autonomia energética

Procura por sistemas que combinam geração fotovoltaica e armazenamento cresce no Brasil, impulsionada pela busca por segurança, previsibilidade e controle do consumo.

Além da economia na conta de luz, consumidores passam a se preocupar com a continuidade do fornecimento durante falhas na rede, impulsionando a procura por baterias associadas a sistemas fotovoltaicos.

O armazenamento, antes considerado complementar, começa a ganhar espaço em projetos residenciais, comerciais e industriais. Dados do mercado indicam que, entre janeiro e abril de 2026, as baterias já estavam presentes em cerca de metade das cotações, enquanto a procura por projetos BESS cresceu aproximadamente 300% entre o 4º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026.

A Solfácil também registrou crescimento superior a 400% nos projetos solares com baterias nos últimos dois anos, período em que a procura por sistemas híbridos avançou 250%.

O consumidor começa a olhar para a gestão da energia
O avanço das baterias também transforma a forma de projetar sistemas fotovoltaicos. Além da energia gerada, os projetos passam a considerar quando ela será consumida, quanto será armazenado e como a reserva será utilizada.

Essa mudança exige soluções mais flexíveis, levando em conta o perfil de consumo, a potência dos equipamentos, o nível de autonomia desejado e as características da instalação elétrica.

Nesse cenário, surgem soluções que ampliam o controle do consumidor sobre a própria energia.

Um exemplo é o Bidu Infinity, solução desenvolvida pela EletroBidu que combina geração fotovoltaica, armazenamento em baterias e gerenciamento da energia. A proposta parte de uma lógica diferente de sistemas em que apenas alguns circuitos são previamente definidos para permanecer funcionando durante uma interrupção da rede.

Na configuração apresentada pela empresa, toda a rede elétrica do imóvel permanece disponível, permitindo que o usuário decida quais equipamentos utilizar durante uma falta de energia. A lógica também permite escolher entre um funcionamento automático do backup ou uma operação manual, dando ao usuário maior controle sobre o momento de utilização da reserva.

Essa característica pode ser relevante principalmente em situações nas quais o perfil de consumo muda ao longo do tempo. Em vez de estabelecer definitivamente quais cargas terão prioridade no momento da instalação, a solução permite que essa decisão seja feita conforme a necessidade.

Outro aspecto da proposta é a possibilidade de expansão do sistema. À medida que a demanda energética do imóvel aumenta, novas unidades de armazenamento podem ser adicionadas sem que seja necessário redefinir previamente todos os equipamentos que farão parte do backup.

Na prática, a discussão deixa de ser apenas sobre quantos quilowatts-hora uma bateria consegue armazenar e passa a envolver como essa energia será administrada pelo consumidor.

Por que essa mudança importa para o mercado
O crescimento das baterias abre uma nova frente para empresas que antes atuavam apenas com geração fotovoltaica. Os integradores passam a trabalhar também com armazenamento, gerenciamento de cargas, backup e diferentes estratégias de uso da energia.

O movimento acompanha o amadurecimento do mercado brasileiro. Segundo a FoxESS, cerca de 5% dos novos sistemas fotovoltaicos instalados no país já contavam com baterias no início de 2026, com expectativa de chegar a aproximadamente 10% até o fim do ano.

No setor elétrico, o armazenamento também ganha espaço. A ABSAE estimou, em junho de 2026, uma demanda de 5 GW a 6 GW em sistemas de baterias nos próximos leilões de reserva de capacidade.

Os números apontam para uma mudança: as baterias deixam de ser um recurso complementar e passam a ocupar um papel mais relevante na discussão energética.

O próximo passo da energia solar
A expansão das baterias não reduz a importância da geração fotovoltaica. A combinação entre geração e armazenamento amplia as possibilidades de uso da energia produzida pelos painéis.

Com isso, o mercado avança de uma lógica focada apenas em geração para uma abordagem mais ampla de gestão energética.

Para o consumidor, a decisão passa a considerar não apenas quanto o sistema produz, mas quanto pode ser armazenado, quando a energia será utilizada e qual nível de autonomia é necessário.

Para o setor, isso representa uma mudança no perfil da demanda: além da economia na conta de luz, consumidores buscam mais previsibilidade, controle e segurança diante das limitações da rede elétrica.

Nesse cenário, as baterias passam de equipamento adicional a elemento estratégico na evolução da energia solar no Brasil.

Fonte: Portal Solar

Mais Lidas