Energia solar no Brasil ultrapassa termelétricas

Produção de energia por painéis solares evita lançamento de 18 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera e movimenta R$ 74,6 bilhões em investimentos; para especialista, rede elétrica do país precisa se modernizar com internet das coisas e big data.

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O potencial para geração de energia solar existente no Brasil já começa a mostrar sua força. De acordo com a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), o país já consegue gerar 14 gigawatts (GW) com painéis solares, capacidade que equivale à potência da usina hidrelétrica de Itaipu. A fonte solar já ultrapassou a potência instalada de termelétricas movidas a petróleo e outros combustíveis fósseis.

O dado sobre geração de energia solar leva em consideração tanto o que é gerado em parques centralizados quanto a chamada geração distribuída, produzida a partir de placas fotovoltaicas instaladas em telhados de casas, fachadas de prédios e pequenos terrenos. A perspectiva é de que a geração de energia solar deve aumentar nos próximos anos.

O Brasil possui 4,7 GW de potência instalada em usinas solares de grande porte espalhadas por 19 estados. O número equivale a 2,6% da matriz elétrica do país. No entanto, há no país um portfólio de 31,6 GW já outorgados para desenvolvimento de energia solar. Já a geração própria de energia totaliza 9,3 GW de potência instalada, sendo que 99,9% advêm de painéis solares.

“A produção de energias renováveis no Brasil continuará em alto crescimento, principalmente na geração de energia eólica e solar, uma vez que o consumidor brasileiro vem buscando economicidade e soluções mais tecnológicas no suprimento de energia elétrica”, comenta Rosane Roverelli, Diretoria da Advantech Brasil, empresa especializada em soluções IoT.

Esse cenário, além de sustentável, é lucrativo. Segundo a Absolar, a geração de energia por painéis fotovoltaicos evitou que 18 milhões de toneladas de CO2 fossem lançados na atmosfera. A entidade também aponta que o uso dessa modalidade de energia limpa já movimentou R$ 74,6 bilhões em investimentos e possibilitou uma arrecadação de R$ 20,9 bilhões aos cofres públicos.

Para especialistas, a expansão da energia solar deve ser impulsionada pela Lei nº 14.300/2022, que cria o marco legal da geração própria de energia. Somando a nova legislação ao aumento recente nas tarifas de energia elétrica, muitos brasileiros devem se ver motivados a instalarem painéis solares em suas casas para gerarem a própria energia.

O caminho, contudo, não é livre de desafios. A rede elétrica do país, projetada para transportar eletricidade das concessionárias aos consumidores, precisa de adaptações para suportar o fluxo inverso.

“Agora as redes também precisam acomodar os consumidores com painéis de energia solar que produzem energia em excesso e requerem suporte para fluxos de eletricidade bidirecionais. O consumidor também passou a ser produtor, o que alterou os papéis tradicionais de produtores e consumidores”, explica Roverelli.

De acordo com a especialista, o país também vivenciará um aumento no consumo de energia elétricas, o que torna ainda mais desafiadora a adaptação da infraestrutura de distribuição elétrica. “O consumo de energia elétrica deverá triplicar nos próximos anos porque há cada vez mais sistemas de infraestrutura eletrificadas e digitalizadas”, afirma.

Modernização do setor

Além da mudança da matriz energética para modalidades limpas e da adaptação da infraestrutura de distribuição, o país precisa modernizar suas redes elétricas. Para especialistas, o futuro é das redes digitalizadas. Isso significa pensar em energia elétrica não só como feita de usinas, cabos e postes, mas também com grande quantidade de dados e internet das coisas.

“O primeiro passo é a modernização da automação e controles. E o segundo é a cibersegurança. Com esses dois passos em mente, é fundamental que os fornecedores de serviços públicos comecem a modernizar a infraestrutura e participar do gerenciamento das redes com decisões autônomas e orientadas por dados”, diz Andre Dias, Engenheiro Eletricista da Advantech Brasil.

O Engenheiro explica que tais mudanças implicam em introduzir dispositivos de inteligência artificial nas subestações de energia, para que consumo e distribuição elétricos virem indicadores para o planejamento do sistema. “O resultado transformará a rede elétrica em um sistema mais inteligente, que fornecerá à administração uma visão mais ampla das operações diárias e iniciativas futuras”, completa.

Fonte: Terra

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