O Brasil virou referência global na geração de empregos e na transição energética. O país foi o terceiro que mais gerou empregos em energia solar no mundo em 2024, contabilizando 323,8 mil postos de trabalho no segmento ao longo do ano, superando pela primeira vez os Estados Unidos nesse indicador, segundo o Relatório Anual de Energia Renovável e Empregos 2025, realizado pela IRENA, em parceria com a OIT.
O número impressiona. Mais do que isso, sinaliza uma transformação estrutural no mercado de trabalho brasileiro que ainda está em curso.
No mercado brasileiro, a energia solar e a bioenergia se destacaram, levando o país a ocupar a terceira posição no ranking global, com 1,3 milhão de vagas de emprego no segmento em 2024. Esse volume não se concentra em um único estado ou perfil profissional.Está distribuído por instaladores, técnicos, engenheiros, comerciantes, gestores de projetos e trabalhadores da cadeia logística que movimenta equipamentos de Norte a Sul do país.
Energia renovável e geração de empregos por setor
A energia solar lidera a criação de postos formais no Brasil, mas não caminha sozinha. A bioenergia responde pelo maior número absoluto de trabalhadores no país, posicionando o Brasil em segundo lugar no ranking mundial do setor, atrás apenas da China.
A energia eólica também cresce: registrou 80,3 mil empregos em 2023, com tendência de expansão à medida que novos parques entram em operação, especialmente no Nordeste.
A maior parte das contratações está concentrada nas empresas integradoras, responsáveis pela venda e instalação dos sistemas, com 83 mil admissões previstas só em 2025. O perfil técnico exigido cobre desde eletricistas com especialização em sistemas fotovoltaicos até profissionais de TI, responsáveis pelo monitoramento remoto das plantas.
A qualificação virou gargalo real em um setor que cresce mais rápido do que a oferta de mão de obra formada.
Com potencial global no hidrogênio verde, o Brasil terá que formar quase 3 mil profissionais técnicos por ano e ampliar as capacitações em segurança, operação e inovação. Instituições de ensino técnico já adaptam grades curriculares para atender a essa demanda, mas a corrida entre formação e mercado ainda pende para o segundo lado.
Empreendedorismo e novas formas de geração de renda
Além da criação de empregos formais, o avanço das energias renováveis também abriu espaço para novas formas de empreendedorismo e geração de renda.
Nesse cenário, cresce o interesse de profissionais e investidores que buscam entender como ganhar dinheiro com energia solar, seja por meio da prestação de serviços, instalação de sistemas ou participação em modelos de geração distribuída.
Em 2025, a geração distribuída já representa 42,1 GW dos mais de 60 GW de potência solar instalada no Brasil, e esse modelo impulsiona o mercado de trabalho com novas contratações em empresas integradoras e prestadores de serviço.
Quem instala um sistema em residência ou comércio não apenas reduz a conta de luz: movimenta uma cadeia de fornecedores, técnicos e financiadores que transforma a lógica local de emprego.
Desde 2012, o setor já gerou mais de 1,4 milhão de empregos diretos e indiretos, com projeção de superar 3,6 milhões de vagas nos próximos cinco anos.
A economia verde no Brasil não é mais projeção de longo prazo. É realidade presente que já emprega mais de 1 milhão de pessoas e ainda tem muito espaço para crescer antes de atingir o teto do seu potencial.
A sustentabilidade deixou de ser um argumento ambiental isolado. No Brasil de 2026, é também argumento econômico, de carreira e de renda.
Fonte: BPMoney