Em construção desde novembro de 2025, a Usina Solar do Aeroporto de Natal, localizado em São Gonçalo do Amarante, incorpora princípios de engenharia sustentável e economia circular ao reaproveitar cerca de 11 mil m³ de fresa de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente).
O material, proveniente da fresagem da pista realizada em 2017, composta por fragmentos de asfalto e agregados, normalmente descartado, está sendo utilizado para a regularização e estabilização do solo destinado à instalação do sistema fotovoltaico. Essa prática reduz a extração de novos recursos naturais e contribui para a sustentabilidade da obra.
A aplicação da fresa melhora a uniformidade do terreno e aumenta a capacidade de refletir a luz do solo, aspectos fundamentais para a eficiência dos módulos bifaciais instalados, que captam radiação tanto pela face frontal quanto pela traseira.
Com solo mais nivelado e maior refletância, os painéis solares aproveitam melhor a luz difusa e refletida, resultando em um incremento estimado de 6,5% na geração anual de energia em comparação a instalações em solo natural.
Além de evitar a extração e transporte de agregados, a reutilização do material reduz as emissões indiretas de CO₂ e fortalece o ciclo sustentável dos ativos aeroportuários, alinhando-se à economia circular. O consumo de insumos virgens, como brita e agregados naturais, é minimizado, o que otimiza o balanço energético do sítio e reforça a agenda ESG da Zurich Airport Brasil, concessionária do aeroporto.
Ricardo Gesse, CEO da Zurich Airport Brasil, destacou: “O projeto está alinhado com nossa visão de aeroportos eficientes, resilientes e ambientalmente responsáveis, integrando infraestrutura, inovação e responsabilidade socioambiental. Em breve, o povo potiguar terá um aeroporto com 100% de autonomia energética.”
A usina terá potência de 5 MW, com cerca de 11 mil painéis solares instalados próximos ao pátio do aeroporto, capazes de gerar aproximadamente 1 milhão de kWh por mês, energia suficiente para abastecer cerca de 6.800 residências com consumo médio mensal de 150 kWh. O investimento total é de R$ 25 milhões, executado pela empresa potiguar WSO Solar, com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026.
Além da usina, a Zurich Airport Brasil promove outras iniciativas sustentáveis, como a instalação dos sistemas 400 Hertz e PCA para fornecimento de energia limpa às aeronaves em solo, substituindo combustíveis fósseis e contribuindo para a descarbonização do setor.
Em 2025, mais de 90% dos resíduos gerados no aeroporto foram desviados de aterros sanitários, graças à parceria com cooperativas de reciclagem que também geram emprego e renda local. Iniciativas de reuso de água complementam as ações, ampliando a eficiência hídrica e reduzindo o consumo de recursos naturais.
Fonte: Aeroin