Quanto custa um sistema residencial de baterias no Brasil?

Novo estudo da EPE e do Ministério de Minas e Energia traz estimativas de custos e payback para a tecnologia

Os sistemas de armazenamento com baterias se apresentam como uma solução cada vez mais viável para consumidores brasileiros, especialmente em uso conjunto com energia solar. Esse tipo de equipamento permite uma melhor gestão da eletricidade, substituir geradores a diesel, servir de backup em momentos de interrupção no fornecimento da rede elétrica, entre outras possíveis aplicações

De acordo com o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o preço final médio de um sistema de baterias para consumidor residencial no Brasil atingiu aproximadamente R$ 3.500/kWh em 2024.

A estimativa leva em conta os dados da consultoria Greener para sistemas residenciais híbridos, que integram a geração solar fotovoltaica com o armazenamento de energia. Considerando um sistema de geração distribuída (GD) de 4kWp e um sistema bateria de 5kWp, o investimento necessário para um consumidor residencial seria de R$ 31 mil. Em 2020, esse valor era de quase R$ 40 mil.

Conforme o estudo, ainda há incertezas significativas quanto ao preço final dos sistemas de baterias no Brasil, dado que os custos podem variar de acordo com o fornecedor, a escala e configuração do empreendimento. Além disso, mudanças na carga tributária aplicável a estes sistemas também podem impactar o preço final de forma relevante.

Payback
A análise destacou que as baterias podem ser utilizadas para evitar a injeção na rede da energia gerada pelas placas solares, armazenando o excedente da geração para o consumo posterior. Essa prática evita perdas relacionadas a remuneração pelo uso de rede e protege o consumidor de mudanças regulatórias que reduzam os benefícios da compensação de créditos.

O PDE 2035 simulou a aplicação de baterias em conjunto com energia solar para verificar a variação do retorno do investimento em sistemas residenciais. Um equipamento com custo de R$ 3.500/kWh, elevaria o tempo de payback de uma instalação de GD solar de pouco mais de 2 anos para até 6 anos. Apesar disso, o estudo indica que outros benefícios das baterias, como o aumento da resiliência elétrica, podem sensibilizar um nicho de consumidores.

Outro ponto, são os efeitos da Lei 14.300/2022, que estabeleceu o Marco Legal da Geração Distribuída. No curto prazo, essa legislação prevê um pequeno e gradual desconto sobre a energia injetada na rede. Inicialmente, isso representa pouco ganho para ser capturado com o uso do armazenamento.

Porém, a perspectiva de redução de custos dos sistemas de baterias, combinado com o estabelecimento de uma tarifa sobre a energia injetada na rede a partir de 2029, deve aumentar a viabilidade do investimento no Brasil.

Plano Decenal de Energia
O PDE 2035 apresenta as perspectivas da expansão do setor de energia para os próximos 10 anos, considerando o período de 2026 a 2035, mantendo uma visão integrada para os diversos energéticos. Composto por diversos estudos, o documento visa subsidiar decisões de política energética, integrando-as às demais políticas adotadas no país, em especial as ligadas às mudanças climáticas e de transição energética.

Fonte: Portal Solar

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