A indústria química brasileira é a 6ª maior do mundo e responde por 2 milhões de empregos e por 11% do PIB industrial. Com essa envergadura, ela arrecada R$ 30 bilhões anuais em tributos federais, o equivalente a 13% da arrecadação industrial brasileira. Mesmo assim, o setor enfrenta perda de competitividade devido aos custos de energia. O tema foi debatido por especialistas em uma mesa-redonda organizada pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) em agosto.
A assessora de Sustentabilidade da entidade, Carolina Ponce de León, destacou que “o custo da nossa energia é muito mais caro do que lá fora, e isso, junto com o preço do gás natural, contribui para a perda de competitividade da indústria química no Brasil”. Segundo ela, a eletrificação de processos e o acesso a energia mais barata são caminhos diretos para recuperar eficiência.
Mercado Livre de Energia na indústria química
Uma das alternativas que mais têm chamado atenção das indústrias é a migração para o Mercado Livre de Energia (MLE). Nesse modelo, as empresas passam a negociar diretamente com geradores e comercializadoras, escolhendo preço, volume e prazo de acordo com suas necessidades. Na prática, isso traz mais previsibilidade e redução de custos: um diferencial importante para setores que dependem fortemente de energia elétrica e térmica.
A Química Nova Brasil, de Itajaí (SC), viveu isso de perto. Com 150 colaboradores e atuação nos mercados de papel, celulose e tratamento de águas, a empresa migrou recentemente para o MLE e passou a operar com energia 100% renovável fornecida pela ENGIE Brasil Energia. A mudança reforça a estratégia da companhia em buscar uma gestão energética mais inteligente e eficiente.
“A decisão de aderir ao Mercado Livre de Energia marca um passo importante na nossa jornada rumo à transição energética. Trabalhar com energia renovável e contratos de longo prazo nos dá segurança para enfrentar os desafios do setor químico e ampliar nossa participação em cadeias produtivas sustentáveis. É uma escolha que combina eficiência econômica com responsabilidade ambiental”, destaca Luciano Kipper, CEO da Química Nova Brasil.
O movimento da Química Nova Brasil mostra que é possível, sim, abrir espaço para uma indústria mais preparada, sustentável e alinhada às demandas de um mercado que valoriza estabilidade, custos competitivos e energia limpa.
Fonte: Além da Energia