O Brasil costuma ser citado como um dos países com maior potencial para a geração de energia solar no mundo. De acordo com o Global Solar Atlas, a irradiância solar global horizontal (GHI) no país pode alcançar valores próximos a 2.100 kWh/m² por ano. No entanto, apesar dessa condição privilegiada, a viabilidade de um projeto fotovoltaico depende de muito mais do que a simples presença de sol. Na prática, transformar esse potencial em geração eficiente exige planejamento técnico e dados confiáveis.
Um levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) aponta que, em 2025, os investimentos em novos projetos fotovoltaicos, tanto na geração centralizada quanto na distribuída, somaram R$ 32,9 bilhões em 12 meses. Em 2024, esse valor foi maior, chegando a R$ 54,9 bilhões, o que representa uma queda de cerca de 40%.
Esse recuo evidencia que a expansão da energia solar não depende apenas do potencial do recurso, mas também da capacidade de mitigar riscos operacionais e regulatórios, como o curtailment e as limitações de conexão. Por isso, a construção de projetos precisa ser cada vez mais estratégica, baseada em planejamento técnico rigoroso e em dados confiáveis.
O primeiro passo está na escolha e na análise do terreno. Fatores como relevo, tipo de solo e cobertura vegetal impactam diretamente o custo, o prazo e a complexidade das obras civis. Áreas com grandes declividades demandam movimentação de terra e soluções estruturais mais complexas, enquanto solos rochosos ou instáveis podem elevar significativamente os custos ou até inviabilizar o empreendimento. Além disso, obstáculos naturais ou construídos, como morros, edificações e vegetação, podem gerar sombreamento e reduzir de forma relevante a produção de energia ao longo do tempo.
Mesmo quando as condições físicas são favoráveis, surge um desafio técnico fundamental: estimar com precisão a quantidade de energia solar realmente disponível no local. Apesar do avanço da geração solar no Brasil, a rede de medições solarimétricas ainda é limitada, o que faz com que muitos projetos se apoiem em médias regionais ou bases de dados internacionais que nem sempre representam adequadamente as condições climáticas locais.
Esse desafio se torna ainda mais crítico em projetos que utilizam tecnologias mais avançadas. Sistemas com módulos bifaciais, estruturas com trackers ou soluções de arquitetura solar integrada (BIPV) exigem análises mais detalhadas, capazes de considerar diferentes inclinações, orientações e condições de reflexão da superfície. Nesses casos, estimativas simplificadas deixam de ser suficientes, aumentando o risco de erros no dimensionamento e na projeção de geração.
Para dar suporte a esse tipo de análise, plataformas digitais especializadas em dados meteorológicos têm ganhado relevância no setor fotovoltaico. A TOKsolar, desenvolvida pela Tempo OK, foi criada para ampliar o acesso a informações solarimétricas de alta qualidade. A partir da seleção de um ponto no mapa ou da busca por uma cidade, o usuário consegue acessar séries históricas e climatologias detalhadas de irradiância solar.
Um dos grandes diferenciais da ferramenta está na flexibilidade das simulações. É possível configurar parâmetros como inclinação e orientação dos módulos, adoção de trackers, bifacialidade, eficiência e albedo da superfície, permitindo estimativas muito mais alinhadas às condições reais de cada projeto. Esse nível de personalização é especialmente relevante tanto para estudos de viabilidade quanto para soluções que fogem do modelo tradicional de usinas em solo.
Fonte: Portal Solar