A pecuária é responsável por manter o Brasil em destaque no mercado interno e externo, impulsionada por produtividade, qualidade e dedicação dos produtores. Por exemplo, em 2025, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontaram crescimento de 3,9% no abate de bovinos no segundo trimestre.Além disso, a produção de frango também registrou avanço, enquanto a da carne suína tem projeção de alta de 3,6% em 2026. Parte desse desempenho positivo da pecuária está diretamente ligada à adoção de práticas mais sustentáveis.
Uso eficiente da água, recuperação de pastagens e, principalmente, investimento em fontes renováveis de energia têm transformado a realidade no campo. Além do apelo ambiental, fatores como o alto custo das tarifas convencionais e a busca por autossuficiência energética vêm acelerando essa mudança.
Biogás transforma resíduos da pecuária em energia
Na pecuária, uma das soluções que mais ganham espaço é o biogás. A tecnologia permite transformar os dejetos animais em uma fonte valiosa de energia. Por meio da digestão anaeróbica, bactérias decompõem a matéria orgânica e geram metano, que pode ser utilizado para produzir calor e eletricidade. Na prática, o processo envolve:
.coleta e armazenamento dos resíduos;
.decomposição controlada da matéria orgânica;
.conversão do gás gerado em energia mecânica;
.acionamento de um gerador para produção de eletricidade.
Ademais, o biogás pode ser utilizado diretamente em caldeiras para cogeração de energia. Dessa forma, a pecuária consegue reduzir custos operacionais, diminuir impactos ambientais e ainda dar destino adequado aos resíduos das criações.
Pecuária 4.0 e energia solar caminham juntas
A chamada pecuária 4.0 representa uma revolução na criação de animais. O conceito integra tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA), drones e softwares de gestão, permitindo decisões baseadas em dados em tempo real.
Como resultado, o produtor passa a tomar decisões mais precisas, elevando a produtividade, o bem-estar animal, a sustentabilidade e, consequentemente, a rentabilidade.
Nesse cenário altamente tecnológico, a energia solar ganha papel central. Afinal, para que sensores, sistemas automatizados, ordenhadeiras, climatização e monitoramento funcionem de maneira contínua, é essencial garantir fornecimento estável e previsível de eletricidade. Ela pode ser adotada de duas formas principais.
.Geração distribuída (GD): instalação de painéis fotovoltaicos na própria propriedade, convertendo a luz do sol em eletricidade para abastecer equipamentos e sistemas de climatização.
.Energia solar por assinatura: o produtor contrata energia gerada em fazendas solares remotas, sem necessidade de investimento inicial ou manutenção de equipamentos.
O modelo de assinatura oferece praticidade e redução média de 15% a 25% nos custos com eletricidade, dependendo do perfil de consumo.
Energia limpa no agronegócio
Embora a pecuária seja protagonista, a adoção de energia limpa se espalha por todo o agronegócio. Inclusive, um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) destaca que o setor responde por cerca de 60% das fontes renováveis do país. Entre os principais benefícios da energia limpa no campo, destacam-se:
.redução de custos operacionais, com menor exposição a reajustes tarifários;
.autonomia e segurança no fornecimento, especialmente em atividades que exigem energia contínua;
.fortalecimento da imagem sustentável, cada vez mais valorizada por mercados compradores e cadeias de exportação.
Ou seja, a transição energética não é apenas uma tendência, mas uma estratégia essencial para o futuro da pecuária e do agronegócio brasileiro. Ao integrar inovação, sustentabilidade e eficiência, o setor amplia sua competitividade e consolida seu papel como referência em produção responsável.
Fonte: Folha BV