A guerra no Irã e os impactos no mercado de energia solar

Conflito traz pressão inflacionária sobre matérias-primas e logística de equipamentos fotovoltaicos, mas pode acelerar a demanda por armazenamento de energia

A guerra no Irã deverá pressionar os preços de equipamentos de energia solar no Brasil em consequência do aumento de custos com frete e matérias-primas. Por outro lado, cenário de instabilidade na cadeia de fornecimento de combustíveis poderá acelerar a demanda por soluções de armazenamento de energia.

O fechamento do Estreito de Ormuz, importante via marítima por onde passa 20% do comércio mundial de petróleo, trouxe uma série de consequências para a economia global. Além da alta nos combustíveis e impactos logísticos, o bloqueio também afeta o fluxo de insumos essenciais para a fabricação de painéis solares, como alumínio, silício e cobre.

O resultado é o encarecimento da produção dos módulos fotovoltaicos, aumento dos custos dos fretes marítimos e do tempo de entrega dos equipamentos. “O bloqueio afetou diretamente a oferta de alumínio. O metal, componente crítico das molduras e estruturas de fixação dos painéis solares, já registrou altas significativas”, declarou o vice-presidente de cadeia produtiva da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Daniel Pansarella.

“Cerca de 9% da produção global de alumínio está vulnerável a esse bloqueio. Para o setor solar, isso significa que os fornecedores de estruturas metálicas enfrentarão pressão de custos que será repassada aos integradores e, eventualmente, aos consumidores finais.” Além do alumínio, o silício e o cobre também enfrentam pressão inflacionária.

Logística
Pansarella destacou que, por causa do bloqueio do Estreito de Ormuz, navios foram obrigados a desviar rotas, causando atrasos e congestionamento nos portos. Com isso, houve aumento do tempo de espera e as taxas de armazenagem dispararam. Outro impacto da guerra é no preço do seguro.

“A navegação em zona de conflito eleva o risco e as seguradoras repassam isso aos importadores. Um contêiner que custava US$ 3 mil para segurar agora custa US$ 5 mil ou mais. Multiplique isso por centenas de contêineres mensais de equipamentos solares, e teremos um impacto financeiro substancial”, apontou.

Ele assinalou que as taxas de frete marítimo para a América do Sul atingiram patamares recordes. Um contêiner de 40 pés com módulos solares da Ásia para portos brasileiros sofreu reajustes expressivos. O que custava US$ 2 mil em janeiro agora custa US$ 4 mil ou mais.

Tributação
Pansarella ainda alertou que a crise logística coincide com um cenário tributário pouco favorável ao setor de energia solar, com o fim incentivos de exportações de painéis solares na China e manutenção de taxas de importação no Brasil.

“Quando você combina frete caro, matérias-primas caras, incentivos chineses extintos e impostos brasileiros elevados, o resultado é uma pressão inflacionária sem precedentes no setor solar”, explicou o vice-presidente de cadeia produtiva da Absolar.

Armazenamento de energia
Embora o cenário seja preocupante, Pansarella avalia que a crise logística também abre oportunidades. “Empresas que conseguem navegar essa volatilidade com inteligência, com planejamento de estoque robusto, capital de giro blindado, estratégias de hedge cambial, sairão fortalecidas.”

Outro ponto é a maior procura por armazenamento de energia (BESS). “Com a instabilidade de preços e a busca por segurança energética, sistemas com baterias deixam de ser um luxo e passam a ser uma necessidade. A China reduziu os impostos de importação para baterias (de 9% para 6% até 2026, zerando em 2027), criando uma janela estratégica.”

Fonte: Portal Solar

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