Brasil pode atrair R$ 390 bilhões com corrida por minerais da transição energética

Demanda por minerais usados em baterias, veículos elétricos e equipamentos de energia coloca o país entre os principais destinos de investimentos

A crescente demanda por minerais usados em baterias, veículos elétricos, semicondutores e equipamentos de geração de energia pode impulsionar uma nova onda de investimentos na mineração brasileira.

A expectativa é que o país atraia US$ 76,9 bilhões (cerca de R$ 390 bilhões) para o setor até 2030, impulsionado pela corrida mundial por matérias-primas consideradas essenciais para a transição energética.

O cenário reflete o aumento da procura por minerais como cobre, níquel, lítio, grafite, cobalto e terras raras, fundamentais para tecnologias de baixo carbono.

O Brasil, que já ocupa posição de destaque na produção de minério de ferro, nióbio, manganês e bauxita, também busca ampliar sua participação nesse mercado.

Energia passa a influenciar decisões de investimento
A oportunidade de expansão, porém, depende de fatores que vão além da disponibilidade de recursos minerais.

Levantamento da empresa de soluções energéticas Aggreko, realizado com executivos de mineradoras de seis países da América Latina, mostra que 66% dos entrevistados afirmam que o futuro do setor está diretamente ligado à adoção de fontes renováveis, maior eficiência energética e segurança no fornecimento de eletricidade.

Segundo o estudo, energia deixou de representar apenas um custo operacional e passou a influenciar decisões sobre expansão de projetos, produtividade e competitividade internacional.

“O setor já não depende apenas da disponibilidade dos recursos minerais, mas também da capacidade de garantir segurança energética e eficiência operacional”, afirma José Albornoz, regional de mineração da Aggreko na América Latina.

Minerais críticos ganham valor estratégico
O crescimento da eletrificação da economia vem aumentando a importância dos chamados minerais críticos.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a expansão dos veículos elétricos, das fontes renováveis e dos sistemas de armazenamento de energia deverá elevar significativamente a demanda por esses insumos nas próximas décadas.

Além do lítio e do cobre, matérias-primas como grafite, níquel, cobalto e terras raras passaram a ser consideradas estratégicas por governos e empresas, que disputam novos projetos de mineração para para reduzir a dependência de poucos fornecedores.

Brasil amplia peso na mineração
O setor mineral já ocupa posição relevante na economia brasileira.
Dados do Instituto Brasileiro de Mineração mostram que as exportações minerais alcançaram US$ 46 bilhões (cerca de R$ 233 bilhões) em 2025, respondendo por 55% do saldo da balança comercial do país. A atividade também representa aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Além da produção tradicional de minério de ferro, o Brasil possui algumas das maiores reservas mundiais de nióbio e vem ampliando investimentos em minerais considerados estratégicos para a descarbonização da economia.

Competitividade dependerá de energia de baixo carbono
A pesquisa mostra que a origem da energia utilizada nas operações tornou-se um diferencial competitivo para as mineradoras.

Empresas avaliam que compradores internacionais passaram a considerar não apenas o minério produzido, mas também a pegada de carbono de sua produção.

Isso tem levado o setor a ampliar investimentos em fontes renováveis, sistemas híbridos de geração e soluções para garantir maior segurança energética.

Apesar desse movimento, os executivos afirmam que a velocidade da transição dependerá da viabilidade econômica dos projetos e do equilíbrio entre redução de emissões e custos operacionais.

Fonte: Veja

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