Energia solar e bioenergia impulsionam expansão de empregos verdes no Brasil

Com 1,3 milhão de postos diretos e indiretos, país se consolida entre os líderes globais em trabalho associado às renováveis, em um movimento alinhado à transição energética

O avanço das energias renováveis, além de ser uma resposta às mudanças climáticas, impulsiona significativamente o mercado de trabalho no Brasil e no mundo. Em 2024, o setor respondeu por um recorde global de 16,6 milhões de empregos diretos e indiretos, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena).

No recorte brasileiro, a combinação entre energia solar e bioenergia foi determinante para posicionar o país como o terceiro maior empregador global em renováveis, com cerca de 1,3 milhão de vagas.

O crescimento reflete tanto a expansão da capacidade instalada quanto o peso das renováveis na matriz nacional. Mas, ao mesmo tempo, o segmento enfrenta desafios, incluindo a necessidade de políticas de qualificação profissional para sustentar a transição energética a longo prazo e questões relacionadas à tarifação de equipamentos importados.

Um mercado de trabalho em transformação
Globalmente, a energia solar fotovoltaica lidera a criação de empregos, com aproximadamente 7,2 milhões de postos em 2024, mais de 40% do total de vagas em renováveis. Em seguida aparecem os biocombustíveis, com 2,6 milhões de empregos, a fonte hidrelétrica, com 2,3 milhões, e a energia eólica, com 1,9 milhão. O desempenho reflete o ritmo de novas instalações, que somaram 582 gigawatts (GW) no mundo em um único ano, alcançando a marca total de 4.443 GW.

A distribuição destes empregos, no entanto, permanece concentrada, especialmente na China, que responde por aproximadamente 44% da força de trabalho global em renováveis. A liderança chinesa é impulsionada pela fabricação de equipamentos e pela escala dos projetos. Para tentar estimular a produção doméstica desses equipamentos e escapar da dependência do país asiático, governos têm aplicado tarifas sobre tais produtos importados.

No Brasil, por exemplo, o avanço dos empregos verdes ocorre em um contexto de forte dependência de importações, sobretudo no setor solar. Em 2024, o país importou o equivalente a 22,3 gigawatts em módulos fotovoltaicos, volume 25% superior ao do ano anterior. A produção nacional ainda é concentrada em kits, com poucos fabricantes de módulos, inversores e trackers.

Solar e bioenergia puxam o Brasil
Os setores que mais impulsionaram os empregos verdes no Brasil foram o solar e o de bioenergia. Ainda de acordo com a Irena, em 2024, cerca de 15,2 gigawatts de nova capacidade fotovoltaica foram instalados, o que representa o maior volume já registrado. Quase dois terços dessa expansão ocorreram na geração distribuída, sobretudo em sistemas residenciais, segmento mais intensivo em mão de obra.

Esse perfil ajuda a explicar a relevância da fonte solar na criação de empregos, que envolve atividades de projeto, instalação, operação e manutenção espalhadas por diferentes regiões do país.

A bioenergia, por sua vez, segue como o maior empregador do setor renovável brasileiro. O estudo aponta que o emprego total no setor sucroenergético em 2024 alcançou 751.377 postos, posicionando o país como o segundo maior produtor de bioetanol do mundo. Esse número, no entanto, é inferior ao pico de 1,3 milhão registrado em 2008. O declínio é uma tendência decorrente da mecanização de atividades rurais manuais.

Qualificação profissional como eixo da transição
O relatório da Irena destaca que “apesar das adições recordes de capacidade, o crescimento do emprego foi moderado por economias de escala; pela automação e outras formas de inovação tecnológica; pelo excesso de capacidade na fabricação de equipamentos; e por gargalos na rede elétrica, que levaram ao corte da geração de eletricidade”. Nesse cenário, a formação e requalificação profissional tornam-se centrais.

No Brasil, assim como no restante do mundo, a expansão sustentável dos empregos verdes dependerá da capacidade de alinhar políticas energéticas, industriais e educacionais. Mais do que números absolutos, o desafio passa a ser a qualidade, a estabilidade e a inclusão desses postos de trabalho em uma transição energética que já está em curso.

Fonte: Além da Energia

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