O primeiro leilão de baterias do país recebeu 6.091 projetos cadastrados no certame, somando cerca de 297 GW de potência.
É um volume que não cabe em nenhum cenário de contratação e que diz muito sobre o momento: investidores do mundo inteiro querem um lugar na nova fronteira do sistema elétrico brasileiro, a flexibilidade.
As datas estão marcadas: 2 e 4 de dezembro de 2026. É um marco, e o setor tem razão em comemorar. Mas a visão que trago neste artigo é outra. O leilão criará um mercado para poucos.
O mercado de baterias para a maioria dos empresários do já existe, está do lado de dentro do medidor e não depende de edital nenhum. E as mudanças regulatórias que vêm pela frente vão torná-lo ainda maior.
O leilão é importante, mas é jogo de gente grande
O desenho do certame ficou pronto em 2026. A Portaria MME (Ministério de Minas e Energia) nº 136, de junho, criou dois leilões em sequência.
No dia 2 de dezembro acontece o LRCAP de Armazenamento Nacional, com exigência de conteúdo nacional comprovada por credenciamento no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
Dois dias depois vem o leilão aberto, sem essa exigência, que contrata o volume restante. A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), também em junho, fechou a regra de tarifação do armazenamento depois de quase três anos de consulta pública.
Os dois pontos que mais travavam o processo estão resolvidos. As regras mostram o porte do jogo. Cada projeto precisa ter no mínimo 30 MW.
A bateria tem de entregar 4 horas de descarga em potência máxima, até dois ciclos por dia, com recarga completa em até 6 horas e eficiência mínima de 85% no ciclo completo.
Fonte: Canal Solar