O protagonismo dos módulos bifaciais na nova geração da energia solar

A energia solar fotovoltaica atravessa um momento de transformação tecnológica importante.

Nos últimos anos, avanços em engenharia de módulos, estruturas de suporte e sistemas de monitoramento vêm ampliando significativamente a eficiência das usinas solares. Dentro desse cenário de evolução, uma tecnologia tem ganhado destaque e se consolidado como um dos principais motores de performance do setor: os módulos bifaciais

Mais do que uma simples melhoria incremental, os módulos bifaciais representam uma mudança de paradigma na forma como a energia solar é captada e aproveitada. Quando instalados em estruturas com trackers solares, esses módulos deixam de ser apenas componentes do sistema e passam a ocupar uma posição central na estratégia de geração energética.

Isso acontece porque, ao contrário dos módulos tradicionais, que captam radiação solar apenas pela face frontal, os módulos bifaciais produzem energia pelas duas faces do painel. A face frontal recebe a radiação solar direta, enquanto a face traseira capta a luz refletida pelo solo ou por superfícies abaixo do módulo. Esse fenômeno é conhecido no setor como albedo, e é justamente ele que amplia o potencial de geração da tecnologia bifacial.

Quando essa característica é combinada com sistemas de rastreamento solar (trackers), o resultado é um ganho energético relevante. Os trackers ajustam continuamente a posição dos módulos ao longo do dia, acompanhando o movimento aparente do sol. Com isso, não apenas aumentam a incidência direta de radiação na face frontal, mas também criam condições mais favoráveis para que a face traseira receba radiação refletida.

Em outras palavras, o tracker não apenas segue o sol. Ele cria novas oportunidades de geração para o módulo bifacial.

Dependendo das características do local de instalação, do tipo de solo e do projeto da usina, esse ganho adicional de produção pode variar entre 5% e 25% quando comparado a sistemas tradicionais. Em projetos de grande escala, esse percentual representa um impacto significativo na produtividade energética e no retorno financeiro do empreendimento.

No entanto, é importante compreender que esse ganho não acontece automaticamente. O desempenho real dos módulos bifaciais depende de uma série de fatores ambientais, estruturais e operacionais que precisam ser cuidadosamente analisados desde a fase de projeto até a operação da usina.

Entre esses fatores, um dos mais relevantes e muitas vezes subestimado é o solo sobre o qual a usina está instalada.

O índice de reflexão da superfície, conhecido como albedo, tem influência direta no desempenho dos módulos bifaciais. Superfícies claras refletem mais luz solar, aumentando a quantidade de radiação que atinge a face traseira dos módulos. Já superfícies escuras tendem a absorver a luz, reduzindo o potencial de geração adicional.

Diversos elementos influenciam o comportamento do albedo em uma usina solar. O tipo de solo, a cor da superfície, a textura do terreno, a presença de vegetação, o acúmulo de poeira ou lama e até mesmo o nível de umidade do solo podem alterar significativamente o nível de reflexão da luz.

Por essa razão, em projetos que utilizam módulos bifaciais, a gestão do solo deixa de ser apenas uma questão de infraestrutura e passa a fazer parte da estratégia energética da usina.
Algumas soluções são frequentemente adotadas para aumentar a refletividade do solo. Entre elas, destaca-se o uso de brita clara compactada, que cria uma superfície relativamente uniforme e com bom índice de reflexão. Outra alternativa comum é a estabilização do solo com pó de pedra, que além de melhorar a refletividade contribui para o controle da erosão e da formação de lama.

Em algumas áreas específicas da usina, também pode ser utilizado concreto claro, especialmente em zonas de acesso ou em regiões onde o controle da vegetação e da sujeira precisa ser mais rigoroso.

Uma solução que vem ganhando espaço em projetos mais recentes é o uso de mantas refletivas geotêxteis, geralmente em cores claras ou com tratamento aluminizado. Essas mantas são instaladas sob os módulos e desempenham múltiplas funções.

Primeiramente, aumentam o índice de albedo, ampliando a quantidade de luz refletida em direção à face traseira dos módulos. Além disso, ajudam a reduzir o crescimento de vegetação, minimizam o acúmulo de poeira e lama e facilitam o deslocamento das equipes de manutenção dentro da usina.

Esse conjunto de benefícios demonstra que, em sistemas bifaciais, o solo deixa de ser um elemento passivo da instalação e passa a atuar como um aliado direto na geração de energia.

Outro aspecto essencial para o sucesso dessa tecnologia é O&M – operação e manutenção das usinas solares.

Em sistemas tradicionais, a manutenção costuma concentrar-se na limpeza da face frontal dos módulos, na inspeção de inversores e na verificação das conexões elétricas. No caso de usinas com módulos bifaciais e trackers, a manutenção precisa ser mais abrangente e estratégica.

A limpeza periódica dos módulos continua sendo uma atividade essencial, mas agora deve considerar tanto a face frontal quanto a face traseira dos painéis. A sujeira acumulada na parte posterior dos módulos muitas vezes passa despercebida, mas pode reduzir significativamente o ganho energético proporcionado pela tecnologia bifacial.

Além disso, as equipes de manutenção precisam realizar inspeções regulares para identificar possíveis sombras projetadas por estruturas, cabos ou vegetação, que podem comprometer a captação de radiação pela face traseira.

Outro ponto de atenção é o acúmulo de sujeira no solo sob os módulos. Poeira, lama ou vegetação excessiva podem reduzir o índice de reflexão da superfície e impactar diretamente o desempenho da usina.

A verificação periódica do alinhamento e do funcionamento dos trackers também é fundamental. Pequenos desalinhamentos ou falhas mecânicas podem alterar o posicionamento dos módulos e reduzir sua eficiência ao longo do dia.

Fonte: Portal Solar

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